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A arte de dar vida a um personagem ou lugar


Thaís da Costa Nobre, 19 anos, estudante de administração

Para esse desenho, a inspiração veio das deusas indianas e africanas. Tive a ideia após conhecer mais sobre essas culturas. O que achei muito interessante é que, mesmo em existindo religiões que privilegiam os homens, ainda existem divindades femininas – poderosas, agressivas, guerreiras ou vingativas. E ainda outras carinhosas e protetoras, como uma mãe. Acho que traduzem a essência para uma boa liderança, com sentimento e razão. No esboço, usei lapiseira comum e borracha, o contorno, lineart e preenchimento foram com bico de pena e nankin.

Comecei a desenhar aos sete anos, observando os cartoons transmitidos na TV. Logo depois conheci o mundo dos mangás e animes (desenho japonês) e foquei para esse lado. Grande parte disso aprendi sozinha através do método de tentativa e erro, mas foi em um curso de desenho que aprendi a base e as técnicas mais usadas para desenhar. E o mais importante: que desenhar é uma arte.

Goodilinha por Thaís da Costa Nobre

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Pop Art de um desconhecido


Por Artur Izak Faria, funcionário de uma grande livraria de São Paulo

    Eu acho difícil explicar, ou falar sobre, algo que não se sabe como começou. O primeiro registro que tenho em relação a alguma possível ligação com a arte é estar numa mesa tentando desenhar um brinquedo, ou algo similar, apenas olhando. E, claro, não conseguindo.

Depois, durante o ensino fundamental, Artes era a matéria em que mais me destacava, inclusive fazendo os trabalhos de casa para alguns amigos. Mas foi na graduação em Educação Artística que pude desenvolver e ver qual caminho meus trabalhos seguiriam e concluir pesquisas e estudos sobre movimentos, estilos e artistas, dos quais muitos são influências nos meus trabalhos. Andy Warhol, Keith Haring e os artistas da Pop Art, Tom Of Finland, Michael Breyette e a Queer Art, além dos artistas da arte contemporânea.

Como já comentado, meus trabalhos têm ligação com a Pop Art, na intenção de retratar os artistas ligados a ela, cantores, atores e algumas celebridades. Madonna, Angelina Jolie e Amy Winehouse são algumas entre elas, além da série inspirada no mártir de São Sebastião, nus masculinos, pôsteres de filmes e imagens religiosas feitas por encomenda.

Das exposições das quais participei, as de maior destaque foram o Salão de Arte da Universidade Cruzeiro do Sul e a Free Art. Na primeira, a obra escolhida por um corpo de júri foi ‘Sebastiane’, e na Free Art foram doados seis trabalhos.

A intenção da Free Art é que, ao fim de cada dia de exposição, os frequentadores podem levar pra casa a obra de que mais gostaram. Minha arte é o que sou, não tenho muito como descrever a sensação de fazer arte, é algo que apenas quem sente pode entender.

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O que é ser designer?


Cláudio Henrique Coelho
Designer e Músico

Cláudio Henrique Coelho
(Arquivo Pessoal)

Ser designer pode significar muita coisa. Trata-se de uma vasta área repleta de vertentes que podem tornar difícil a compreensão de onde começa e onde termina o trabalho desse profissional.

Um designer pode ser o cara que cria logos e identidade visual para uma empresa. Pode ser o profissional que trabalha na criação de websites e interfaces funcionais ao usuário. Pode ser quem edita, cria animações e efeitos especiais para vídeos. Pode ser o responsável pelos gráficos e cenários de tirar o fôlego daquele novíssimo jogo. Pode ser o responsável pela concepção de um modelo arquitetônico. Recentemente, até mesmo tatuadores tem sido enquadrados sob essa classe, adotando o nome de body-designer. E, além dessas, existem muitas outras áreas para esses profissionais.

Mas, então, o que faz um designer? Ele é um faz-tudo?

O designer, na realidade, é o responsável pela criação de um determinado projeto sempre com o pensamento no usuário final. Ele encontra as melhores soluções, baseando-se em pesquisas metodológicas sobre determinado público-alvo, criando assim um produto com usabilidade aceitável. O usuário deve ser capaz de interagir com esse produto sem ter a menor dúvida de como utilizá-lo.

E isso não é tarefa fácil. Envolve uma complexa área de ergonomia, escolha de materiais corretos e até mesmo conhecer bagagem cultural do público. Imagine se, na época pré-histórica, fosse colocada à disposição de nossos queridos neandertais uma simples lanterna. Provavelmente, eles nunca iriam conseguir ligá-la, pois não relacionariam aquele botão de liga-desliga com função alguma e provavelmente desistiriam do estranho artefato. Caso a ligassem acidentalmente, era bem provável que fugissem com medo ou que quebrassem o objeto em mil pedaços, em fúria. Foi necessário primeiro descobrir a pedra, a madeira, aprender a criar ferramentas, tirar fogo a partir do atrito de pedras. Foi necessária toda a evolução e uma enorme popularização de conceitos e símbolos na mente das pessoas ao longo dos tempos para que, hoje em dia, ao entregar uma lanterna para uma criança de um ou dois anos de idade, ela consiga utilizá-la sem estranhamento algum.

Portanto, designer é o profissional responsável pela criação de produtos acessíveis ao público, respeitando a concepção, ergonomia e a cultura inserida aos usuários a que se destina. E não, design não é arte. Arte foi feita para ser interpretada. Design foi feito para ser compreendido.


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Um sucesso a parte, um sucesso que faz parte


Por Alexandre Ciardulo Trindade

Alexandre Cello
(Arquivo Pessoal)
Iniciei meus estudos de violoncelo em 2005, com 17 anos, mas essa história não começa tão tarde assim. Desde pequeno convivo num ambiente musical, e toda minha influência e motivação estão relacionadas com o que vi na igreja e em casa com minha mãe e irmã, que são grandes apreciadoras da arte.

Quando tinha 11 anos, dei meus primeiros passos nesse mundo, e comecei estudando trompete com o maestro e trompetista Sidnei Marques. Tudo que sei e o que posso exprimir na arte da música aprendi com ele. Ainda nas primeiras aulas, percebi o prazer de não só apreciar a música, mas também de executá-la. Alguns anos depois, me entreguei à verdadeira paixão – o violoncelo. Um instrumento de arco que séculos atrás ganhou grande espaço na música erudita, e hoje podemos escutar em diversos gêneros, principalmente na música popular brasileira. Seu som é o que mais se assimila com a voz humana. Quem escuta as suítes de Bach, compostas especialmente para violoncelo, sabe que é impossível não se emocionar.

Com o passar do tempo, fui convidado a participar da OTR (Orquestra Tributos ao Rei) e permaneço nela até hoje. É uma grande experiência, porque convivo com pessoas que têm a mesma paixão que eu, e que têm o dom de elevar o coração das pessoas a Deus.

Quanto mais convivia e me dedicava a essa arte, oportunidades incríveis surgiam. Aos 18 anos, entrei no Conservatório Municipal de Música de Guarulhos, em busca de aperfeiçoamento, estudei Teoria Musical com professora Débora, e Violoncelo com professor Fábio Pellegatti. Com apenas alguns meses, Pelegatti me convidou para participar do Garucellos, um quinteto de violoncelos.

Ao entrar para o grupo, tive a oportunidade de fazer música para um número maior de pessoas, pois realizávamos alguns eventos na cidade, em especial no Teatro Adamastor. Não sou um músico profissional, por não viver financeiramente dessa arte, mas a disciplina que adquiri ao me dedicar ao instrumento me inspira na minha vida profissional também, onde atuo como assistente contábil.

Nesse período já estava totalmente entregue ao instrumento. Aprendi que qualquer sucesso está absolutamente relacionado à dedicação e isso me impulsionava de tal forma que não conseguia ficar um dia sequer sem estudar.

Em 2012 fui convidado pra ser regente da OTR (Orquestra Tributos ao Rei). Não tenho dúvidas de que essa é a maior experiência de todos os tempos na minha vida. Realizamos diversos eventos, tanto religiosos, como seculares. Tocamos na igreja, em casamentos, realizamos cantatas, musicais etc. É uma orquestra incrível. Nesse caso, acredito que o nosso sucesso não está condicionado apenas á dedicação, mas á amizade que temos uns com os outros. É uma verdadeira harmonia.

Em qualquer livro de teoria musical, a música é definida como a arte de manifestar os diversos afetos de nossa alma, mediante ao som. Com a música, as pessoas alegram-se, choram, riem e uma coisa é certa: elas nunca permanecem as mesmas. Não tenho dúvidas de que essa arte alimenta meu espírito e me motiva em qualquer área de minha vida. Com o violoncelo, me sinto mais perto de Deus, não consigo me imaginar sem ele.
                        

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Intervenção Urbana


Por Thiago DK Ferreira
Gestor de projetos, professor na área de TI, formado em Gestão de TI, técnico em informática e web design


Thiago DK (Arquivo Pessoal)
Parkour (por vezes abreviado como PK) ou l'art du déplacement (em português: arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápida e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante — desde galhos e pedras até grades e paredes de concreto — e pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Homens que praticam parkour são reconhecidos como traceur e mulheres como traceuses.

Imagine um sábado, São Paulo, às duas horas da tarde. Enquanto você tranquilamente caminha pela calçada, alguém salta um muro e se arremessa em sua direção, você, assustado, desvia, a pessoa passa e salta novamente, agora sobre uma caçamba de entulho com uma leve ajuda de uma das mãos. Você observa, ele segue incessante na direção do viaduto e escala a pilastra de proteção. Você então percebe o que o estranho pretende e tenta correr em sua direção, mas é tarde. Ele pula. Você grita. Corre ao viaduto em desespero, apenas para ver um vulto se deslocar velozmente pelo asfalto. Você sorri ao ver o traceur desaparecer atrás de outro muro.”

A situação descrita me faz refletir sobre o que podemos chamar de liberdade em relação a nós mesmos. Concluí que somos mais do que pessoas quando estamos rasgando a cidade com nossos pés e mãos calejados, somos verdadeiros elementos de uma constante intervenção urbana, conseguimos modificar a atmosfera a nossa volta, transformar o espaço, e até me arrisco a dizer que conseguimos CRIAR o espaço (algumas vezes literalmente). As pessoas ao nosso redor se assustam, se sentem intimidadas de alguma forma ou até mesmo ofendidas, mas, na verdade ,no fundo cada um deles recupera dentro de si mesmo a origem da liberdade, do ir e vir sem a prisão urbana e cotidiana que o dia a dia e as obrigações nos impõem.

Somos uma faca de dois gumes, quebramos o confortável marasmo da rotina monótona da grande metrópole e ao mesmo tempo injetamos adrenalina nas artérias daqueles que nos cercam mesmo sem colocá-los em condições em que ela seja necessária. Nós fazemos com que as pessoas saiam de sua zona de conforto e segurança e isso as incomoda, mas nós também as lembramos de que estão vivas, e de que são livres. Como na época dos senhores feudais existia a lei e a ordem garantida por aqueles que eram mais fortes, e existia a liberdade e sensação da vida fluindo que também era cultivada por esses mesmo guerreiros poderosos, assim temos de ser! Fortes o suficiente para saber quando devemos parar e livres o suficiente para decidirmos quando devemos continuar!
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Minha vida nos palcos


Por Luana Trindade
Artista plástica 

Luana Trindade
(Mônica de Souza)
Comecei o teatro com 7 anos de idade, morando em São Bernardo do Campo e fazendo teatro na escolinha Municipal. Quando estava prestes a fazer 8 anos, entrei no grupo juvenil da escola Livre de Teatro St. André, onde fiz até os 9 anos. Nisso eu já havia feito quatro peças teatrais e amava o teatro. Embora com essa idade eu fosse muito tímida, me transformava nos palcos, ainda fazia papéis pequenos, sem muita significância.

Até que aos 9 anos completos fiz um teste para entrar na escola de Artes de São Caetano do Sul. A fundação é considerada uma das escolas de artes mais bem conceituadas do Brasil, formando atores como Fábio Assunção, Odair Franco, entre outros.

A minha vida nos palcos rendeu até os 17 anos, quando me formei e já havia feito mais de 20 peças, incluindo um ótimo trabalho sobre a Ditadura Militar de 68, adaptado do livro ‘A Invasão dos Bárbaros’, de Consuelo de Castro.

Bem, quando me formei, o teatro já não era o meu único foco, e percebi que não era lá que encontrava a minha admiração. O teatro era o meu pequeno hobby, eu contemplava o teatro como muitos contemplam uma obra de arte expressionista de algum artista desconhecido. O sonho de ser atriz atuante acabou sendo o sonho da minha família, eu deixei de amar o que tanto fazia. Contudo, o teatro me mudou por completo, meu jeito de ser, agir e pensar. Hoje sou uma artista plástica, graças ao teatro, que me ensinou disciplina, a ser o que queria ser.
Não exerço a vida dos palcos mais, mas amo a arte de outra forma.

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O gosto pela escrita e os desafios da publicação independente




Sempre gostei muito de escrever. Desde a época do colégio escrevia diariamente, em casa, o que tinha visto em sala de aula. Gostava muito de passar com mais calma o que tinha sido ensinado pelos professores, mas a leitura de jornais/revistas teve um papel decisivo no desenvolvimento dessa habilidade. A grande contribuição positiva que tive em casa foi justamente o fato de minha mãe não ter aptidão para leitura, pelo fato de não ter estudado no Brasil. Dessa forma, ela exigia a leitura diária dos jornais em voz alta para que ela se mantivesse atualizada. Com o tempo, o que parecia ser “chato”, foi determinante para o gosto pela leitura e escrita.

        Saltando alguns anos, já nos primeiros semestres da faculdade (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), lia quinzenalmente o jornal escrito pelos discentes, chamado “O Visconde”. Isso foi um convite para que eu começasse a escrever com relativa frequência para aquele jornal. Comecei escrevendo temas relacionados à minha profissão de contador. Em seguida, no segundo ano da faculdade, explorei temas mais abstratos, como, por exemplo, a relação entre a Matemática, Leonardo Da Vinci e Luca Paccioli (para muitos, o “pai” da contabilidade moderna). Tal artigo foi parar num site contábil e, para minha surpresa, foi lido pelo professor, de saudosa memória, Dr. Antônio Lopes de Sá, que me enviou um e-mail colocando à minha disposição centenas de artigos da época Renascentista, que faziam parte de sua biblioteca particular. Em 2004 mesmo iniciei uma pesquisa intensa e mais aprofundada sobre o tema.

        Após quatro anos, consegui a publicação do meu livro. Entretanto, precisei bater na porta de aproximadamente 17 editoras, até que uma delas se interessasse por ele. Existem várias dificuldades para publicar um livro em qualquer lugar do planeta. Evidentemente, com a globalização e as novas tecnologias, como o surgimento dos livros digitais (e-books), há outras possibilidades de distribuição dos trabalhos dos escritores. O escritor independente, como no meu caso, tem que correr atrás. Alguns participam de editais e outras premiações para conseguir editar. Outros organizam coletâneas, encontros de escritores, recitais etc. São possibilidades que escritores, independente do porte de seus talentos, buscam para chegar aos leitores. No meu caso, tive a felicidade de conhecer o dono da editora que, por ironia do destino, gostava muito de Matemática. A sorte, nesse caso, foi um fator decisivo.

        Já meu segundo livro, dessa vez sobre Educação Financeira, foi mais fácil de publicar, pelo fato de ter um apelo comercial mais forte. Este é outro ponto importante para a publicação. Infelizmente, atualmente, o que importa para algumas editoras é o apelo comercial dos livros e não a pesquisa e cultura envolvidas. Um livro bom é um livro rentável e não bem escrito. É uma realidade dura e cruel para os novos escritores.



Ahmed Khatib
Formado pela Escola de Economia, Administração e Contabilidade da USP, escritor e autor do livro 'Educação Financeira'

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Além do Diploma



Por Marcio Roberto Torvano - formado pela UNINOVE (Universidade Nove de Julho) – Repórter da rádio 105 FM

Marcio Torvano (Léo Pinheiro)
O jornalismo esportivo se atualiza a cada dia. Atualmente as faculdades “jogam” no mercado de trabalho vários e vários profissionais, o talento não precisa de diploma, sempre alguém pergunta sobre ter ou não diploma para ser jornalista. Vou falar apenas sobre esta profissão. Não entendo as outras.
Conheço ótimos jornalistas que têm diploma, e conheço ótimos jornalistas que não têm diploma. Como também conheço péssimos jornalistas sem diploma e péssimos jornalistas com diploma.

Sempre cito um exemplo. Meu pai não tem diploma, e a Globo nunca o contratou por causa disso. Os grandes veículos de comunicação querem pessoas talentosas, com ou sem diploma.

Eu sempre fui jornalista, desde que nasci. Mas, mesmo assim, quis fazer faculdade. Agora, se um sujeito é ótimo jornalista e não tem diploma, tem que ser contratado da mesma forma. E só para lembrar, eu recomendo que todos estudem em boas universidades.

Mas nada substitui o talento. E o talento está acima de qualquer diploma. A faculdade serve para aprimorar qualquer dom. Apenas isso.

 Ser jornalista esportivo é fácil? Não. Mas existem alguns caminhos para que isso aconteça.

Como disse, o talento é fundamental. Mas para o jovem que sai da faculdade, algo muito importante são os contatos. As Redes Sociais estão no mundo para isso. Só fica escondido quem quer.

Rádio, televisão, jornal, internet, todas essas mídias tem um canal direto de comunicação. Mostre toda a sua capacidade (com muita opinião) sobre todos os assuntos. Participe, fale, e apareça para este mundo que é fechado, mas com insistência se abre.

Também é importante conhecer o veículo que você quer trabalhar. Saber como funciona, conhecer os bastidores, e ser chato no bom sentido. 
Jornalista nasceu pra incomodar, nasceu pra colocar o dedo na ferida. E este, graças a Deus, é o grande diferencial da nova geração. Jornalista não é artista, a notícia tem que ser prioridade. Sem interesses e sem puxar saco de ninguém.

Um assunto que causa polêmica é o humor nas reportagens. Eu gosto bastante. Mas sei dividir muito bem as coisas. Não perco minha credibilidade porque sou bem humorado. É apenas uma forma de se fazer jornalismo. Cada um tem o seu jeito.

Os assessores de imprensa limitam muito o trabalho da imprensa (por mais louco que isso pareça). Poucos realmente ajudam. E isso acaba sendo um desafio. O assessor passa para o seu funcionário, o atleta, todas as possíveis perguntas que vão acontecer. É nesse ponto que o jornalista tem que mostrar criatividade, é preciso fazer uma pergunta que ninguém espera. E outra, o seu entrevistado não precisa ser educado, você sim.

Se você tem talento, capacidade, criatividade e muita força de vontade. Ninguém vai te segurar. Acredite nisso.
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Libório

André Macedo, cartunista, formado em Licenciatura Plena em Educação Artística pela Universidade Federal de Pelotas - Pelotas/RS




O Libório nasceu para tentar estabelecer uma comunicação direta com o público do jornal Diário Popular (em torno de 100 mil leitores). Antes de abordar questões mais universais ele navegou por uma forte referência machista. Ele é muito burro e ingênuo. Todos os outros personagens com ele relacionados (Jurema, Betinho, Marta, Cusco, Uóchito) são contrapontos dessas características. 

O pai do Libório fugiu de casa, pois não aguentava a rudeza do filho e da esposa. O Libório tem uma filha chamada Marta e três filhos adotados: Betinho, Tina e a vaca Monalisa. É proprietário de um bar chamado Cuia Monstro e tem um funcionário, o Uóchito.

Atualmente circula em três jornais impressos: Diário Popular de Pelotas, Correio do Povo de Porto Alegre e Jornal da Manhã de Ijuí. É sobre ele o meu livro mais lido, o Cuia monstro (mais de 10.000 leitores) 
http://issuu.com/andremacedors/docs/cuia_monstro
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Oportunidade X Oportunismo


Por Alexandre Hellis – consultor pedagógico da UP-Training Consultoria e Treinamento
Hoje, pela manhã, conversando com alguns alunos, percebi que não há o mínimo interesse na preparação ou qualificação profissional, mesmo com toda a expectativa criada em torno do crescimento do país nos últimos anos. Os jovens não estão antenados com as oportunidades que o mercado atual está apresentado, pelo contrário todos têm uma visão de que é possível dar um ‘jeitinho’ na hora certa para burlar algum processo seletivo e então, conseguir um bom emprego ou uma vaga em uma boa faculdade.
Bem, devo informar aos mesmo que em um mundo globalizado, empresas em países diferentes e até em continentes diferentes prestam serviços em alta competitividade umas para as outras, e, que no mundo todo, temos jovens talentosos se preparando para a próxima oportunidade.
Quando Steve Jobs infelizmente faleceu no início do mês passado, escutei muitas coisas dos meus alunos, inclusive que o mercado de grandes criações tecnológicas pararia de crescer, pois havia morrido o gênio das tais criações. O que eles não conseguem avaliar é que estamos em uma evolução desenfreada e que criamos não por necessidade, mas por vocação. Estamos programados para criar algo novo toda semana mesmo que nada novo precise ser criado. Com esse pensamento programado, o homem passou a ter como objetivo o sucesso a qualquer custo, não se preparando para aproveitar as oportunidades, mas, se preparando para ser um oportunista de destaque.
O filósofo português Agostinho da Silva disse: “O oportunismo é, porventura, a mais poderosa de todas as tentações; quem refletiu sobre um problema e lhe encontrou solução é levado a querer realizá-la, mesmo que para isso tenha de se afastar das mais rígidas regras morais.”
Acredito que as próximas criações tecnológicas da humanidade serão tão desnecessária como as que temos visto nos últimos anos e o mundo das coisas que controlam e rastreiam as pessoas terá grande sucesso em uma sociedade com a doença de oportunismo.

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Técnicas de lápis aquarela



Autor: Sandra dos Santos
Educação Artística - Universidade Cruzeiro do Sul

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Destino

Por Marcos Danilo Bassan, vocalista da Banda Elloz

Meu coração palpitava com grandes expectativas
Por mais que meu rosto estampasse a vontade de amar
Nada, nem ninguém ousara me procurar

Eu me vi entre muitas pessoas, mas não via graça
Corria desesperado, pra me infortunar por entre as traças
Eu quis me esconder, eu quis não existir
Quis ter alguém pra ser parte de mim

Entre tantas idas e vindas eu quase desisti
E no maior dos meus tropeços eu te conheci
Passando pelas mesmas situações que eu
Desejando as mesmas coisas que eu desejo

Você estava sentada no lugar onde eu escolhia de refúgio
Naquele banco que todo dia eu sentara no mesmo horário
E em um dia que meu relógio atrasou e o seu adiantou
Nos encontramos feitos os ponteiros à meia noite

E desde então dividimos o mesmo tempo
O destino nos juntou e fez um laço
Denominou esse fenômeno e o chamou de nosso abraço
Nos fez virar parte da mesma história


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O irracional e incondicional ato de amar

Por Ismael Braz de Oliveira, estudante de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo
O amor é cego. É o que costumeiramente se diz. Cego por não ver aparência, não enxergar circunstâncias, enfim, o amor é cego. Poderíamos também, dizer que o amor é irracional. Não pensa. Não formula equações lógicas. Não faz cálculos. Creio ser isso que Pascal quis dizer ao falar que “O coração tem razões, que a própria razão desconhece”.
Reflito nessas palavras, mas não as entendo. Talvez porque o coração não possa ser entendido. Esse impulso de amar, de querer bem a outro. De ir contra toda lógica e regra que exista, desafiando aquilo que sabemos. Desafiando os perigos que conhecemos. Todo nosso sistema de segurança. Quebrando toda razão.
É o tipo de amor de Dom Quixote por Dulcinéia, que na verdade não passava de uma camponesa. Mas que aos olhos, “cegos”, de Dom Quixote ia, além disso. Ela era a razão de suas aventuras. Por quem valia à pena enfrentar os ventos dos moinhos. O amor é realmente irracional.
Mítia[1] que o diga. Perde-se loucamente, ao se apaixonar por Grúchenka, mulher de má fama. Ficando cego ao ponto de cometer todo tipo de loucura em função de seu amor. Não lhe importava o que lhe diziam. Não via com a lógica dos olhos ou da mente. Via com as desconhecidas razões do coração.
Se existisse razão, trabalharia Jacó sete anos por Raquel? Quem sabe a lógica de muitos seria de dizer a Jacó que era loucura o que ele estava disposto a fazer. Ele os ouviria? Creio que não.
Amor é também desprovido de condições. Por que você ama? Podem perguntar a quem está amando. A resposta certamente será: amo por que amo. Não existem condições para se amar. Se condição houver, então não é amor. O que oferece o filho para a mãe amá-lo? Quem sabe não seja por isso, que amar e sofrer andem lado a lado. Porque esse impulso irracional de amar, pode se tornar uma mão única, de sempre dar e nunca receber. O sofrer consiste em querer receber, mas nada ganhar e mesmo assim, continuar a amar.
Ouvi uma música da banda americana New Radicals que me fez pensar na questão da irracionalidade e incondicionalidade do amor. Someday we’ll know é a música. Nela é retratada uma série de perguntas, como por exemplo, se o capitão do Titanic chorou. A música continua na perspectiva de que um dia saberemos a respostas de algumas perguntas. Uma dessas perguntas é porque Sansão amou Dalila.
Intrigado com o porque Gregg Alexander, vocalista da banda, cita em sua música o amor de Sansão por Dalila. Recorro à narrativa bíblica, que se encontra no livro de Juízes capítulo 16. Sansão era um juiz em Israel. Homem de uma força sobrenatural. O segredo de sua força estava em seus cabelos. Sansão que matou mil homens com uma queixada de um jumento. O homem que era temido por seus inimigos. Respeitado por seu povo. Agora se encontra com uma mulher chamada Dalila e o texto diz que ele se apaixona por ela.
Dalila fazia parte do povo inimigo de Sansão. Com toda certeza, não era uma pessoa confiável. Mas Sansão se apaixona por ela. E com o amor, não existe reputação ou condição. O homem que sozinho, enfrentou mil homens, agora sucumbe, diante de apenas uma mulher. Dalila se utiliza do amor de Sansão para traí-lo. Sansão entrega seu segredo por amor. Por ter sua alma afligida por ter seu amor colocado em dúvida.
O que dizer do amor de Oséias por Gômer? Não somos culpados de querer quem queremos. Por isso, que quando me dizem para não me embrenhar em algo que vai me machucar. Para não esperar o que talvez nunca venha. Lembro, que por mais que eu consiga raciocinar e equacionar as implicações do ato de amar, o que sempre prevalecerá é a razão do coração. Por isso não julgo um marido ou esposa, traído, que retorna para sua (seu) amada (o). Não ouso acabar com os sonhos de alguém apaixonado. Não me apresso a questionar a escolha de alguém. Porque no final, não quero que a mim o façam.
Encerro dizendo que não acredito que um dia saberemos por que Sansão amou Dalila. Não acredito que saberemos por que os poetas escreveram seus poemas. Não acredito que saberemos os porquês de tantos atos de amor. Não creio, simplesmente, pelo fato de que eu mesmo nunca saberei por que quero quem eu quero. 
Se alguém perguntasse a Sansão porque ele amou Dalila, creio piamente, que a resposta seria essa: Não sei, apenas amei! No ato irracional de amar, não existem equações, só o resultado, que é o amor.
Porque dois mais dois são quatro? O não saber o porquê, não muda o fato de que dois mais dois são quatro. Às vezes perdemos a chance de amar, por querer antes de tudo, fazê-lo passar pela prova da razão.  Racionalizar o amor é perder o momento eterno e singular, proporcionado pelo irracional e incondicional ato de amar.
[1] Personagem de Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski.
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Como se faz amor?

Por Ana Guia

Sentia-se pronta para viver um grande amor, desde o dia que começou a andar de salto e usar saias. Assistia filmes antigos, absorvia aquele complexo de Greta Garbo com muito gosto e se via diva de sua própria história. Imaginava-se ao lado de um homem perfeito, um amor perfeito, mocinha e mocinho feitos um para o outro. Ele metade dela, ela metade dele, metades da laranja, tampa da panela e todos os outros clichês possíveis de amor que via na TV, no cinema e nos livros.

Ensaiou com cuidado todas as palavras que iria dizer, se via em flashs de cenas de amor e beijava sem pudor algum o vazio. Visualizava com precisão o leito onde tudo aconteceria. E repetia inúmeras vezes:

- Te amo e te amo muito e não te amo por pouca coisa, pois assumo que só ser amado por mim já é algo problemático e custoso.

Mas não saía da idealização. Até as brigas de amor eram forjadas, beirando mesmo uma esquizofrenia totalmente consciente. Deixou de dar oportunidade a si própria e aos homens que surgiam no seu caminho, pois precisava estar pronta para viver o seu grande amor, a sua grande estréia. O seu palco iluminado onde o amor vencia sempre.

O tempo, implacável, passou. E a lucidez da maturidade a fez perceber que não queria um homem. Só queria algo com que sonhar.

Passou diante de uma praça e viu um casal aos beijos, o estranho apertava tanto a cintura da moça que parecia que ia lhe partir ao meio. Sentiu nojo. Queria glamour e não contato físico ou calor humano.

Não sabia fazer amor.
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Imutável

Das emoções, das sensações,
O que é controlado por você?
Na luta de personalidade,
A vitória está de que lado?
Dos pensamentos que brotam na mente,
Quais foram regados?
Dos conceitos criados, dos fatos marcados,
O que realmente é

Imutável?

Alguém diz o que sente por você,
Mas amanhã pode não sentir.
O que ontem era amor,
Hoje é ódio, hoje é rancor.
Onde estão as rédeas do coração?
Porque as vezes a melhor evolução é ser

Imutável!

Imutável no que diz respeito a ser criança
Imutável no sentido de ter fé
Imutável em mundo podre!
Fé!

Autor: Edmundo A. G. Junior
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Soneto de Wilson Jasa

Breve histórico do poeta: 

Wilson de Oliveira Jasa é jornalista e fundador do Movimento Poético Brasileiro. Nascido em São Paulo, Wilson é Presidente da Casa do Poeta "Lampião de Gás" de São Paulo e do Movimento Poético de São Paulo. Participante assíduo de saraus, admirador de sonetos e poeta assumido, já recebeu diversos prêmios em sua carreira, dentre eles, o de Príncipe dos Poetas Paulistanos, Príncipe dos Poetas Maçons do Estado de São Paulo e Príncipe dos Sonetistas do Brasil. 
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Recém-formado: pouca experiência e muitos desafios



Para o jornalista Rogério, é preciso focar nos objetivos e se
manter preparado sempre. (Acervo pessoal)
 Certamente, você já deve ter lido dezenas de matérias falando sobre os desafios do mercado de trabalho, principalmente para os recém-formados. O mundo da comunicação, enquanto negócio, está cada vez mais concorrido e acirrado, impondo a cada dia novos desafios às empresas que, consequentemente, precisam de profissionais cada vez mais preparados. Já a comunicação do ponto de vista estrutural tem se tornado cada vez mais complexa e dinâmica, o que impõe a necessidade de amplo conhecimento sobre o seu funcionamento.

Embora, no Brasil muitas áreas careçam de mão de obra qualificada, um perfil de jovens está se tornando cada vez mais comum em seleções de profissionais, são jovens recém-formados e super capacitados. Eles se apresentam, para as empresas, bem afinados em outros idiomas e trazem na bagagem viagens ao exterior, pós-graduação, trabalhos voluntários e muitas outras qualidades.

Juntando os desafios crescentes do mercado, uma economia globalizada e o aumento da capacitação dos candidatos, não temos como fugir da velha pergunta: como se sobressair e conquistar um lugar ao sol?  

Essa resposta inclui tantos itens que seria melhor fazermos um caminho inverso e explanarmos sobre do quê o profissional não pode abrir mão em tempos em que as vagas estão sendo disputadas ‘à foice’

Hoje em dia, a Universidade está longe de ser um ambiente em que o jovem deve apenas se afogar em livros. Ela apresenta um número grande de oportunidades que não devem ser desperdiçadas: o networking com colegas e palestrantes, futuramente poderá render indicações de emprego; as experiências acadêmicas como trabalhos de imersão de campo e projetos de rádio e TV poderão ser apresentados como portfólio etc. 

Durante o período de graduação também podemos utilizar uma excelente porta para o mercado de trabalho que é o estágio. Nada pode aproximar mais o estudante da área de formação do que a própria atuação dele entre os profissionais. Além disso, pequenos erros cometidos durante o estágio poderão ser considerados imperdoáveis quando ele estiver atuando como profissional de fato. Vale a pena errar, e obviamente, aprender na hora certa. O estágio é a hora de fazer contatos, aprender o ofício e adquirir experiências. Um estágio bem aproveitado pode ser o ‘ponta pé’ para uma bela carreira. 

Depois do curso de formação as opções não são muitas, senão o bom e velho diploma debaixo do braço. É nessa hora que os trabalhos acadêmicos, o networking que citamos e os trabalhos voluntários podem fazer a diferença. Já o inglês só fará diferença se você não o tiver. O domínio de outro idioma já deixou de ser considerado diferencial há algum tempo e hoje é considerado requisito básico para o mercado de trabalho. 

A regra de modo geral é quanto mais, melhor. Intercâmbio, domínio de diversos idiomas, formações complementares, tudo isso conta a favor do recém-formado e aumenta as chances de começar a carreira em uma boa empresa. A palavra de ordem é ‘antenado’.  É preciso estar atento ao que acontece a sua volta e no mundo, para não ficar para trás. 

Somente no ano de 2010, o homem produziu mais informação do que toda a humanidade em sua história, por isso, absorva todo conhecimento que puder e não abra mão das novas tecnologias, já existem pessoas sendo reprovadas em processos de seleção por não conhecerem ferramentas como Orkut, Facebook e Flicker. Aliás, usar de todos esses meios para buscar vagas, enviar currículos e conhecer pessoas é sempre válido.  

Algumas pessoas reclamam da falta de oportunidade, mas será que elas já se perguntaram o que faria um empresário lhe remunerar com três mil reais ao final do mês? Sabemos que no mercado capitalista em que vivemos, para recebermos três devemos produzir pelo menos dez, será que temos a competência para tanto? Com base nesse exemplo podemos sintetizar que para um bom início de carreira é preciso focar nos objetivos, traçar metas, e, não se preparar, mas manter-se preparado, sempre.

Por Rogério Barbosa
Jornalista formado pela Universidade São Judas Tadeu em 2009
Produtor da Rede Nova Geração de Televisão e Rádio 89,7 FM Everest

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Sinais

Por Leandro Alves e Anderson Black

Introdução

A despeito de tantos diálogos informais já travados entre amigos, sem com isso perdermos a profundidade crítica das discussões, decidimos escrever este trabalho a fim de afirmar as idéias que se relevaram em alguns anos de debate entre nós. Precocemente, o texto já se mostra ousado por revelar pensamentos críticos - cremos, modestamente - por homens que não são acadêmicos, nem circulam em meios acadêmicos, mas, pelo contrário, encontram-se à margem da sociedade.

Parte I

Em uma de suas noites sonâmbulas, o Operário - antipático a 'teorias da conspiração' - vai ao bar para refletir sobre estranhos sinais do mundo que lhe inquietam o espírito. Na madrugada da periferia, em um beco cruzado vê aproximar-se um vulto amorfo. O homem, de expressão disforme, lhe pede fogo para acender o cigarro. É o 'velho' João Constino:

- Tá perdido, Operário?

- Talvez estejamos todos...

- Então tá tudo bem! Paga uma cachaça que a gente encontra o caminho.

- Puta que pariu! Querem me explorar de qualquer jeito?!

- Veja bem, vamos analisar. Se você não analisar ficará mais perdido que barata viciada em crack. Pense nisso: Vou te explorar mesmo! Sem dó! Foi assim que fui educado, como você também... E aí, o que é que você vai fazer para impedir que eu te explore? Enquanto vai pensando já vou pedir a cachaça!

'Oh Mané... Desce um velho!'

-Na verdade não é isso que me preocupa. Os 'grandes homens' exploram-nos de tal modo que há gente no mundo querendo voltar à escravatura. Além de chegarmos num estágio em que os oprimidos recorrem a se explorarem entre si - válvula de escape programada em nós para que não nos voltemos contra quem realmente nos expropria - há quem reclame o desejo reacionário de voltar os tempos acreditando, subjetivamente, que morrer no chicote é melhor do que na bala. O saudosismo também está programado, ou seja: "Olhem para trás, para o lado e para baixo! Nunca para frente!".
(João Constino dá um gole na cachaça.)
- Não entendi porra nenhuma. Estava olhando aquela tiazona boa, ali no balcão.

- Você vai prestar atenção ou não? Você, que tanto dizem ser o andarilho das trevas, que caminha entre os mortos e os vivos, para onde está olhando? Para trás, como a tradição lhe manda? Para baixo, como ordena a submissão? Ou para o lado, como rege o preconceito?

- Andarilho das trevas é coisa de personagem de quadrinhos. Não sou personagem, cara. E tu quer saber para onde estou olhando, né? Pois vou dizer: Estou olhando para você, e o que olho dá vontade de rir e chorar. Quer saber o porquê?

- Não é de assustar o que você diz. Para todas as expressões e ações que vejo nas ruas e nas fábricas sinto a mesma vontade de rir e chorar. Como também não é de assustar o que dizem sobre você, já que o mundo anda tão surreal que não conseguimos mais distinguir o que é ficção e o que não é. Mas, diga lá, o que vê em mim que tanto o aflige?

- Ora, ora... O que temos aqui? Já encontrei muito peão por aí na noitada. Gosto de beber minha pinguinha nos botecos onde rola uns 'forró'. Me sinto à vontade para beber, para olhar e uma coisa te digo: você é feio "pra cara%&*@" e não vou te paquerar nem "fud!@#$*"! Prefiro a tiazona no balcão! Mas, chega de merda e vamos ao que interessa. Vejo você e digo: no rosto, na superfície, vejo um cara de trinta e cinco anos, casado ou não, de origem negra, nordestina, branca, e sei lá mais o quê nesta suruba genética. Peão de fábrica mesmo. Mas, que coisa estranha... O que sai da boca desse peão não condiz com os outros peões que eu conheço. Você, olhando bem, não posso dizer o que é. Mas, posso tentar dizer o que vai se tornar.

'Mané, vai outra cachaça aí!'

- Muito bem, o dia está raiando. Quer comer algo?

- Deixa o dia raiar... Na verdade, o amanhecer pode ser a pior coisa que pode acontecer. A gente sempre espera que o sol inaugure o dia, mas, cara, de tudo que tá acontecendo, de toda essa insanidade, de gente esperando sem saber a morte e a desejando no horizonte ... Poderemos ver o surgimento de um sol que trará apenas a desgraça. É fod@!
       
(O Operário vira de uma vez todo o seu copo de cachaça).

- Mas, afinal, o que é a evolução humana? O que é a nossa história, senão o medo da morte? A curiosidade de se ser mortal e a esperança da imortalidade?! Sinto-me tão cansado que parece que já tive muitas vidas, que atravessei os séculos neste contraditório ciclo.

(Constino dá uma longa e estridente gargalhada, que aos poucos vai parando)

- Não fique bravo... Não tô rindo da sua cara. É apenas o seguinte: a evolução humana acontece, mas ela acontece fora dos olhos oficiais. O nosso medo de olhar é incapaz de acompanhar. Os dinossauros não imaginavam que aqueles bichinhos semelhantes a ratos iriam dominar a terra. Já reparou nas baratas, nos ratos e nas formigas. As vezes eu olho, e tento ser diferente dos dinossauros. "Vocês podem nos substituir, não tem problema. Estou cansado", digo a eles. Minha espécie talvez esteja cansada e deseja morrer. Somos ainda capazes de criar um horror tão potente que o horror fascista na Alemanha seria um passeio de criança. Todas as vidas que tu viveu talvez sejam apenas o treinamento para enfrentar esse possível horror.

Sem que tenham pedido algo, Mané serve mais uma dose de cachaça.

- Essa é por conta da casa!
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