Mostrando postagens com marcador Perfil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Perfil. Mostrar todas as postagens

Minha História com o TETO

Gregory Henrique Borges Santana, 20 anos.

Gregory. (foto de arquivo pessoal)

Faço projetos sociais desde meus 14 anos de idade. Comecei com um projeto que nos vestíamos de palhaço e visitávamos hospitais. Hoje faço parte do TETO. É uma ONG que está presente em 19 países da América Latina e no Caribe também, ele visa erradicar a extrema pobreza. O TETO firma uma parceria com a família que está em situação de extrema pobreza e constrói uma moradia - casa com 18 m² - mais digna para aquela pessoa, uma situação emergencial. Com esse projeto quebrei vários paradigmas que eu tinha quando falavam em Favelas, tive uma aproximação maior com famílias de várias comunidades de São Paulo e conheci pessoas com os mesmo sonhos e objetivos que os meus. 

Depois que entrei para a ONG, comecei a lutar por uma causa, moradia mais digna para todos. Está na constituição isso, que todos devemos ter no mínimo uma moradia digna e saneamento básico. O TETO não apenas constrói casas, ele está começando agora em São Paulo a implementar a Habitação Social, onde trabalhamos com Microcrédito, Bibliotecas comunitárias e várias outras atividades para essas comunidades.

Estou há 1 ano e meio na ONG e toda vez que entro em contato com as famílias, eu consigo me transformar. Toda vez que uma família é designada, além de transformar a vida da pessoa, transforma a minha muito mais.

Tenho 6 Famílias em 4 comunidades de São Paulo, todas são acompanhadas mensalmente por mim ou por alguém da ONG e sempre que vamos fazer uma visita nessas comunidades, somos recebidos de braços abertos pelos moradores. É uma causa que todos deveriam lutar. Todos deveriam saber que a luta deles, também é a sua luta!

Se envolve, faz bem para o mundo e te transforma!

Ler Mais

Direito e Jornalismo Áreas que caminham juntas


Katia Cilene da Silva 39 anos, 

formada em Umc. Comunicação Social habilitação Jornalismo UBC,  Direito Faculdade Claretiano, Pós em Segurança Pública e Cidadania Guarda Municipal 1ª classe Suzano. 

Atualmente é comum um estudante de jornalismo encontrar em sua grade disciplinar matérias que envolvam ética e legislação, afinal, todo jornalista é responsável pelo que publica. Não é estranho um repórter ter um advogado como fonte, em prol da credibilidade da informação. E em algum momento o estudante de direito também terá que se envolver no mundo da comunicação social, seja para entender melhor como funciona a assessoria de imprensa, seja para decifrar casos que unem ambas as áreas, como casos de direito de resposta ou jornalismo investigativo. Os advogados estudam o comportamento da mídia da mesma forma que os repórteres, editores e redatores.

Graduada em Comunicação Social habilitada em Jornalismo pela UMC, em Direito pela UBC e pós graduada em Segurança Pública e Cidadania pela faculdade Clarentiano, Katia Cilene da Silva, 39, uniu essas duas áreas e explica como profissões que parecem tão distintas podem se encontrar tanto no mercado de trabalho. Para ela, o grande desafio no jornalismo é a oportunidade de criar sem interferência, ou seja, qual é a forma coerente e correta de abordar assuntos públicos. “Então, surge dúvidas se estamos no caminho certo ou perdemos o foco”, afirma Kátia, que acredita que ter migrado do jornalismo para o direito não foi uma mudança e sim um complemento necessário. O Direito serviu como um guia, uma segmentação para continuar atuando como jornalista. Conciliar as áreas garante aprimorar a forma de fazer jornalismo. “O direito te impõe limites e o jornalismo não”, diz.

A escrita também é otimizada, a exemplo de termos recorrentes como Homicídio Culposo, Homicídio Doloso, que devem ser utilizados com atenção e clareza na notícia.
Entre as áreas que unem ambas as profissões estão: assessoria de imprensa, corregedoria, assessoria de comunicação de órgãos públicos (PM), jornalismo de conflito/criminalidade. Atualmente, Katia trabalha na guarda municipal 1ª classe de Suzano, e planeja atuar na corregedoria da guarda. “Preciso ter uma comunicação em excelência adquirida no jornalismo e a capacidade de interpretar e adequar às leis nas punições.”

Foto de arquivo pessoal


Ler Mais

“O preparo é estar bem descansado e alimentado”

Por Dener Sabino

Japinha acredita no crescimento
cultural da Zona Leste
(Arquivo Pessoal)
 Ricardo Di Roberto, baterista, tocará no Sampa Music Festival 6 com suas duas bandas de hardcore, CPM 22 e Hateen. Japinha, como é conhecido, se apresentará dia 22 de abril de 2012 no Espaço Victory, Penha. Em 2011 durante o Rock in Rio, o vocalista Corey Taylor teve experiência parecida tocando seu post-grunge da Stone Sour e o nu-metal de Slipknot no mesmo evento, porém, em dias diferentes, 24 e 25 de setembro, respectivamente. Nesta entrevista para a Agência Radar Jornalístico, Japinha nos conta um pouco sobre as expectativas sobre o evento.




Agência Radar Jornalístico - Como está a expectativa de participar do evento?
Ricardo Japinha: A expectativa é grande e boa, afinal, é um dos grandes shows do circuito de São Paulo. Tanto a banda quanto o público já vêm falando deste show há algum tempo, aumentando a ansiedade.

ARJ - Você tocará no Sampa com as duas bandas (CPM 22 e Hateen)? Qual a sensação e há algum preparo especial para fazer um show duplo?
 RJ: A sensação é duplamente empolgante, pois são as duas bandas que ajudei a montar e crescer, portanto pelas quais tenho muito carinho e amor. O preparo é estar bem descansado e alimentado. O resto é ir para lá com muita vontade e animação, que tudo vai ser maravilhoso. Talvez eu leve uns aditivos para tomar entre um show e outro (proteína, vitaminas).

ARJ - O Hateen teve sua origem na Zona Leste em 1994, assim como outras tantas bandas que vêm se destacando no cenário Underground com a mesma origem. Qual sua opinião sobre o grande número de bandas da região (Zona Leste) que se destacam?
RJ: Sou de lá, da Zona Leste, então sou suspeito pra falar bem. Mas sinto que é uma região de São Paulo que vem crescendo não só no sentido geográfico, mas também em termos culturais e artísticos. O desenvolvimento econômico somado à intensidade (em todos os sentidos da vida) dos moradores da ZL têm propiciado um grande potencial, em vários aspectos. Desde que montamos o Hateen no Belenzinho e na Mooca, temos tocado em shows e festivais na Zona Leste, em especial na Penha e em Itaquera. Tomara que só continue a crescer, gosto muito da ZL.

ARJ - Acredita que o evento pode tanto aumentar a popularidade de uma banda consagrada quanto revelar novas bandas para o cenário?
RJ: Acredito que todo e qualquer show, independente do tamanho, tenha essa característica. Uma das coisas que sempre falo, quando me pedem dicas para as bandas que estão começando, é sempre irem tocar onde forem chamados. Em um caso desses, um festival deste porte, mais ainda, pois a visibilidade, o boca a boca é maior. Quanto ao fato de ser consagrada ou não, penso que toda banda nunca está com o jogo totalmente ganho, muito menos seus integrantes, pois, quanto maior o voo, maior pode ser a queda.

ARJ - Gostaria de deixar um recado para o pessoal que está interessado em ir ao evento ou para os fãs de Hateen e CPM 22?
RJ: Puxa, espero que vão e curtam. Da minha parte, é certeza que estou animado e feliz por poder tocar mais uma vez na Zona Leste e na minha cidade, São Paulo. Vai ser bem legal este dia, eu acredito, então, aproveito o espaço para chamar vocês que estão me lendo para irem curtir um festival de rock que, com certeza, vai ser bem agitado.


Ler Mais

“Não existe o apoio necessário para a arte e a cultura”


Por Aline Romero
Nahid enfrenta desafios e preconceitos 
com talento e dedicação. (Acervo pessoal)


Nahid Phoenix sente a dança em seu coração há muito tempo. Apaixonada desde pequena pela arte de dançar, Nahid enfrentou desafios e preconceitos ao longo do tempo, sem nunca desistir de seus sonhos e objetivos. Dona do Estúdio Fênix de dança, Nahid é criadora e organizadora do Festival de Danças Ritmos do Oriente, maior evento de danças árabes da Zona Leste de São Paulo, já em sua 3ª edição. Nessa entrevista para a Agência Radar Jornalístico, Nahid conta um pouco de sua trajetória profissional, dá sua opinião sobre a atual situação da dança no Brasil e revela o que espera para o seu futuro.

Agência Radar Jornalístico - Quando começou seu contato com a dança?
Nahid Phoenix: O primeiro contato mesmo, aquele que me fez dizer ‘quero isso pra mim’ foi aos sete anos, vendo um programa de televisão chamado “A arte em movimentos”. Quando vi aquela moça girando vestida com roupas tão leves, me apaixonei. O ballet era meu sonho, mas um sonho bem distante, meu pai jamais permitiria e minha mãe não poderia pagar. O contato físico com a dança foi aos 11 anos, quando entrei na ginástica artística e rítmica, na escola onde estudava. Não era exatamente o ballet, mas tinha música e movimentos. Minha professora me disse que uma escola de dança havia sido aberta perto da minha casa. Fui trabalhar na casa de uma vizinha, ajudando nos trabalhos domésticos, e com meu primeiro pagamento semanal, corri na escola e fiz a matrícula, escondida dos meus pais. Quando entrei na sala de aula meu uniforme era um collant laranja e meia-fina preta da minha mãe e sapatilhas que fiz com meias que roubei do meu pai. Meu professor me disse que eu era a aluna mais colorida que ele já teve.  Cuidei de bebês, ensinei a filha da vizinha a escrever, levava criança na escola, ia à padaria...  Eu juntava moedas em saquinho de pipoca para pagar a mensalidade. O professor, que era o dono da escola, reparou e me deu seis meses de bolsa na escola. Com as moedas que ele me devolveu comprei minha primeira sapatilha. Era branca, e não preta como a das outras meninas, mesmo assim dancei tanto com ela que rasgou inteira. Depois disso não parei mais, o professor me indicou outra escola quando a dele fechou, onde eu trabalhei como estagiária em troca das aulas. Foi aí que começou outra fase na dança, a fase do ensino. Tive minha primeira turma de alunos de jazz. Fora o curso principal, dentro da grade fui obrigada a estudar dança contemporânea, lírico, afro jazz, dança de rua, expressão corporal e algumas danças culturais, foi aí que tive meu primeiro contato com a dança do ventre.

ARJ - Existe algum preconceito em torno da dança do ventre?
NP: Existe sim, por ser uma dança que tem um toque de sensualidade é confundida com dança do acasalamento. Mas isso é culpa de algumas bailarinas mal informadas ou mal instruídas, que abusam da sensualidade, transformando uma dança milenar de cultura respeitosa em uma demonstração vulgar e bizarra.

ARJ - Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
NP: A realização do meu primeiro evento nasceu em meu coração aos 14 anos. Fiz um projeto bem adolescente e guardei na gaveta. Desejava fazer um evento onde todos os bailarinos fossem tratados de maneira igual, sem estrelismos ou proteção, onde todos fossem considerados astros e estrelas da dança, mas que a atração principal fosse a arte com todo o seu esplendor. Quando participava de eventos observava tudo, absorvia cada detalhe, coisas boas como exemplo do que fazer e coisas ruins como exemplos do que não fazer. Chamei o Festival de Danças Ritmos do Oriente de “O evento dos sonhos” não porque era algo além do que se esperava, mas porque muitas pessoas estavam realizando sonhos ali. Bailarinas subindo no palco pela primeira vez, lançamentos de grifes, desfiles, expositores que nunca haviam mostrado seu trabalho, ou seja, a primeira vez para muitas pessoas. Sou grata ao Senhor Deus por permitir que eu dirigisse algo dado diretamente por Ele.

ARJ - De onde surgiu a ideia do Ritmos do Oriente?
NP: Participei de muitos eventos nesses longos 30 anos e a maioria deles não era muito honesto, infelizmente. Havia preconceito com os mais humildes, os negros e os iniciantes. Em alguns, inclusive, quando eu olhava a banca examinadora e olhava quem estava na competição, já sabia o resultado do concurso. Muitas vezes falei para as minhas alunas: ‘quando eu fizer meu evento não terá esse tipo de coisa, todos serão iguais, todos terão seu momento de brilhar’. Quando lancei o evento fiquei com medo, senti o peso da responsabilidade e sinto até hoje. Mas graças a Deus, é um evento abençoado, tranquilo, onde todos podem ficar à vontade e mostrar seu trabalho sem medo de ser feliz.

ARJ - Se não fosse dançarina o que seria?
NP: Já trabalhei como secretária executiva, mas a profissão do coração é médica.
 
ARJ - Como você vê o atual cenário da dança no Brasil?
NP: Muitos sonhos e pouca realização, muitos projetos e pouca aprovação. Infelizmente, não existe o apoio necessário do governo para a arte e a cultura. Pouquíssimos bailarinos ou dançarinos têm algum tipo de patrocínio. Aqui no Brasil acontece o maior evento de dança do mundo (Festival de Joinville), mas só para a elite. Não conheço nenhum bailarino da periferia que dançou lá, os custos com inscrições, passagem e hospedagem são totalmente fora da realidade daqui. Por causa dos altos custos a região mais carente fica praticamente impedida de estudar dança.  Por falta de estudo, vemos hoje em dia muita gente despreparada se intitulando professor e com isso causando lesões sérias em pessoas que desconhecem a forma correta de ensino. Um professor de dança tem que ter o mínimo de conhecimento de anatomia e biomecânica para não machucar o aluno, porque existe uma diferença muito grande entre alongar e esticar.

ARJ - Quais seus planos para o futuro?
NP: Não costumo planejar muito. A vida é imprevisível. Prefiro dizer quais são meus sonhos.  Quero tornar o Ritmos do Oriente um evento nacional e quem sabe internacional, ter uma escola de dança com toda estrutura e conforto que os alunos e professores merecem, ter possibilidade de dar a dança para quem ama e não tem condições de pagar, retribuir de alguma forma o que fizeram por mim.
Ler Mais

“Eu passei pelas piores dificuldades que você pode imaginar”


Paulo de Souza Lima nos conta com muita emoção como superou os problemas e o caminho que seguiu após passar por tantos sacrifícios


Por Daniele Motta

Apesar de ter passado por várias dificuldades,
Paulo ainda carrega sorrisos e muita história para
contar. (Por Déborah Aranhos)


Assessor de comunicação da Subprefeitura de Ermelino Matarazzo há seis anos, Paulo tem 59 anos e uma história de superação que inspira qualquer um. Em 1981, Paulo e seu irmão Pedro tinham uma rede com seis bancas de jornal que ficava no centro velho da cidade. Ele cuidava da parte comercial e Pedro administrava o negócio, que durou entre oito e nove anos, até que em 1989, Pedro faleceu de derrame cerebral. “Para mim, ele era um suicida. Fumava quatro maços de cigarro e tomava um litro de uísque por dia! Mas era muito trabalhador, tinha um coração grande, era muito esforçado, mas tinha o vício do cigarro e da bebida. Ele faleceu e a minha vida virou de pernas para o ar, eu não sabia administrar nada, só sabia trazer o dinheiro para ele aplicar”, diz Paulo. “Contudo, em 1990, o Adolfo Quintas, o Cássio e outros seis amigos me convidaram para entrar no projeto de uma construtora, então montamos a Construset”, conta Lima muito emocionado ao tocar no assunto.

A empresa de construção chegou a ter 480 funcionários, mas faliu e Paulo foi até despejado. Além disso, teve que passar por um novo despejo em meados da década de 80, período em se viu obrigado a voltar para a casa de sua mãe com a família. “Eu passei pelas piores dificuldades que você pode imaginar”, desabafa.

Paulo revela que conseguiu uma bolsa para que sua filha pudesse fazer um curso pré-vestibular, porém tinha que dar o dinheiro para que ela pudesse ir até o curso de transporte público, dinheiro esse, que ele não tinha. Então, para economizar, ele saía a pé das Palmas do Tremembé na zona norte e ia até o centro da cidade de São Paulo para trabalhar. Com o dinheiro poupado, Paulo levava para casa pão, leite e ainda dava o dinheiro para sua filha ir ao curso. “Era entre uma hora e meia e duas horas de caminhada, com sol ou chuva eu saia de casa para ganhar dinheiro”, nos conta.

Paulo e alguns colegas montaram uma rádio comunitária, a Educativa FM (92,3), que divulgava artistas que não tinham oportunidade na grande mídia. “Nós tínhamos o programa ‘Canta São Paulo’, das 20h às 00h00, todas as noites. Quem fazia a programação era o ouvinte e nós recebíamos entre 70 e 80 ligações por noite”, diz Lima. Mas a Polícia Federal os visitou e lacrou a rádio, que ficava na Avenida São Miguel.  Paulo foi a julgamento, foi condenado e teve que doar três cestas básicas para uma entidade. 

Paulo participou também da organização do Pólo Cultural da Zona Leste, que fica localizado na avenida Águia de Haia, esquina com a avenida Imperador. “Um fato que marcou muito foi que o Governo do Estado queria construir um cadeião onde hoje ficam a FATEC e o Pólo Cultural. Nós conversamos com o Governador Mário Covas e ele falou que se provássemos que ele estava errado, voltaria atrás na decisão. Nós envolvemos várias pessoas e fomos para a rua protestar e o Governador Mário Covas decidiu construir a FATEC em vez do cadeião. Essa foi uma das maiores vitórias do movimento cultural da Zona Leste”, orgulha-se Lima por ter participado da conquista da primeira FATEC da região, que hoje também conta com a ETEC. 

Em 2005, Adolfo Quintas, parceiro de Lima desde a construtora se candidatou a Vereador de São Paulo e foi eleito, e em eventos políticos Paulo conheceu José Serra, que na época era senador e mais tarde seria eleito prefeito de São Paulo. “Ele me convidou a ocupar um cargo na Subprefeitura Ermelino Matarazzo. Ele já me conhecia em menções políticas, nas áreas culturais e sociais e eu acabei sendo nomeado como Assessor de Comunicação da Subprefeitura.” 

Aos 59 anos, Paulo se formou em Direito. “Eu consegui bolsa integral no curso de Direito na Uninove, após ganhar uma aposta com o meu filho. Como eu trabalhava na Subprefeitura, conseguiria pagar a mensalidade dele. Então, fui estudar. Era gratuito só ia gastar com transporte. Aos 59 anos, eu consegui me formar.” Hoje, o projeto de Lima é passar em um concurso público e desbravar novos desafios.

Ler Mais

O mundo robotiza, a arte humaniza!


Por Henrique Santiago e Kaíque Ferreira



Tiago Geraldo do Nascimento, mais conhecido como Tiago Ortaet, tem 28 anos, mora em São Paulo e é amante da arte. A carreira dele iniciou-se logo cedo, ainda no colégio. Aos 10 anos, ele já havia feito dezenas de cursos em diferentes linguagens da arte. Ortaet carrega uma bagagem cultural com atribuições, participando de palestras e congressos internacionais na África e na Hungria e a competência intelectual, atribuída em um curso de pós-graduação em Linguagens da Arte pela USP (Universidade de São Paulo) e a sua vasta formação. Poeta, ator, coordenador pedagógico em projeto social e pesquisador das relações artísticas em espaços formais e não formais na educação, Ortaet também ministra aulas nas redes públicas estadual e Municipal de ensino de São Paulo. 

Engajado nas artes, ele é deveras crítico de todos os signos artísticos vigentes e contempla os mínimos detalhes ao olho despercebido. “Uma cidade cosmopolita como São Paulo é por natureza um palco a céu aberto, em potencial uma cidade onde coexistir é a palavra de ordem; afinal temos artistas engajados, arte itinerante de todas as linguagens, do repente ao rap, do teatro às intervenções; mas não é assim que as autoridades enxergam.”

A arte é uma das veias propulsoras do organismo de Ortaet. Ele encontra, reflete, discute, vive, enxerga, respira e sente diversas peculiaridades que o meio lhe permite. Já hostilizado uma vez, Ortaet não deixa a sua autoestima ou a semente do seu espírito cair ou despencar por uma visão conturbada de parte da sociedade. “Em 2009, numa situação no metrô Tucuruvi estávamos realizando uma performance teatral intitulada 'Ecos' sobre os maus tratos às crianças. Na ocasião, 25 alunos e eu caminhávamos na calçada da estação mascarados, com tochas e carregando um caixão. Imediatamente os seguranças do metrô agiram truculentos, disseram que não podíamos ficar ali. Afinal, a rua é pública ou não é? Não estávamos parando o trânsito nem agindo de forma agressiva, apenas encenando. Semana seguinte levei uma outra turma com mais de 30 jovens para realizarmos a 'Campanha de Vacinação Contra o Mau Humor Dentro do Metrô'. Disse que chamaria a polícia caso algum de meus jovens fosse hostilizado, pois todos ali pagaram a passagem do metrô como qualquer outra pessoa.”

Ortaet é fundador de um coletivo de artes, cujo foco principal é o de ensinar a arte teatral para não-atores, pessoas comuns que experimentam a linguagem cênica e tem suas vidas transformadas por essa relação. “A rua é o nosso palco estendido”, afirma.

Atualmente, ele ensina aos seus alunos os preceitos dos seus conhecimentos e não os limita apenas entre quatros paredes, como também os leva para fazerem gravações de curtas-metragens em praças, feiras livres e ruas do bairro. Para Ortaet, o conhecimento deve ser absorvido com essas atividades, que extrapolam os muros, que ensinam os alunos a fazerem castelos com cinco ou seis retas e cria um cidadão mais contemplador e menos pragmático.

O poeta da vida e apaixonado pela missão de educar encontra no filho e no casamento a válvula propulsora da criatividade. Pai do menino Otávio e casado com a jornalista Vanessa Monteiro, Ortaet faz de sua existência um grande espetáculo artístico, no qual quando as cortinas se abrem, seu objetivo é fazer da plateia um grupo de pessoas beneficiadas com os sublimes encantos da arte.





Ler Mais

“Me sinto muito melhor hoje que no passado”

Por Paloma Coltri e Karen Rodrigues
Com a deficiência visual, surge a superação.
(Foto por karen Rodrigues)


Zita Moraes da Silva tem 50 anos e reside em Diadema, região do grande ABC, em São Paulo. Começou a profissão de massoterapeuta para preencher o tempo vazio, logo após perder a visão há oito anos causada por diabetes. “Com dois meses que fazia massagens, fui chamada para trabalhar, estou no ramo até hoje e nunca vou parar”.

Morando sozinha ela diz levar uma vida normal. “A única coisa é que não enxergo, mas limpo minha casa, faço minha comida e lavo minha roupa”. Ainda brinca que lavar as próprias roupas brancas é bem difícil, mas confessa que quando existe dificuldade pede ajuda a alguém. Atualmente atua na empresa Alma Viva do Brasil e faz um percurso longo para chegar na empresa que fica localizada na Avenida São João. “Pego o trólebus, desço em Jabaquara, vou de metrô até a estação São Bento e depois subo a pé até a Avenida São João.”

“A massoterapia abriu as portas para tudo na minha vida, minha vida é a massagem agora. Quando eu enxergava nunca me preocupei em saber o que era massagem”. Diz também ser mais feliz hoje do que no passado, quando enxergava. “Hoje eu valorizo mais a minha vida, o dinheiro que eu ganho, as pessoas que tenho ao meu lado, enfim, valorizo tudo”. Ela conta ainda que existe muito preconceito com deficientes visuais. “Mas eu não dou crédito à desconsideração que as pessoas têm pelo deficiente, eu só procuro ver aquelas pessoas que me ajudam e que me apóiam, aquelas que não me ajudam, eu desconsidero para poder viver bem.” Hoje, a maior paixão da batalhadora Zita é a massoterapia, encerra dizendo a seguinte frase: “Nunca desistirei da massagem ela é tudo na minha vida”.

Ler Mais

Um exemplo com e sem farda

Por Suellen Grangeiro

Maurício Luis, garra e superação
na vida pessoal e profissional (acervo pessoal)
O estado de São Paulo possui mais de cem mil Policiais Militares. O Sargento Maurício Luis é um deles, mas sua história não se resume apenas a sua profissão, trata-se de um exemplo de vida. Nascido em Mogi das Cruzes e criado no Litoral Paulista (Praia Grande), Luis conta que era um garoto comum, que gostava de subir em árvores e passava a maior parte do tempo nadando no mar. Ao contrário dos outros meninos, detestava futebol.
Aos 19 anos, entrou para a Marinha do Brasil, na qual foi da equipe de busca e salvamento e, após alguns anos, entrou para o Corpo de Bombeiros. Lá viveu de tudo; momentos de perigo, momentos inusitados e momentos de emoção, como estes narrados por ele:
“(...) Fiz um parto sob um viaduto em São Vicente; após os procedimentos, eu estava todo sujo de sangue e outras secreções. Quando entreguei a criança à mãe ela me disse com a maior naturalidade: ‘Viu, eu tenho AIDS’. Foi meio desesperador, eu acho. Outras situações foram emocionantes, como retirar um osso preso à mandíbula de um cachorro, asfixiando-o; sua dona, uma idosa bem pobrezinha que vivia só, agradeceu ao final e disse chorando: ‘Obrigado, bombeiro! Ele é meu único parente.’ É tudo que eu tenho, o meu companheirinho’. Bom, são muitas histórias.”
Mas sua vida como bombeiro não se resumia a salvar vidas. Como mergulhador, por muitas vezes tinha a missão de procurar cadáveres. Um dia encontrou o corpo de um rapaz, à noite, no meio de um canal com correnteza e um colega seu o indagou: “Para que se arriscar tanto se já está morto? Qual a diferença entre resgatar hoje ou quando ele aparecer na praia?” Luis lhe respondeu: “Para nós nenhuma, mas para os familiares que poderão dar um enterro digno fará toda diferença do mundo”. Luis acredita que o importante não é apenas salvar uma vida, mas atuar em qualquer serviço como se estivesse fazendo isso, com a mesma vontade e determinação.
Aos 40 anos, trabalhando como Policial Militar, o sargento conta que a maior dificuldade da profissão é a falta de segurança, que atinge não diretamente ao policial, mas a sua família. Sem a farda, diz ser uma pessoa normal, que estuda, vai ao cinema, cuida da casa e da cachorra (uma vira-lata que achou na praia), sai para remar, nadar e mergulhar.
Mas a maior lição de vida está por vir. Certo dia, Luis sentiu que havia algo diferente, uma sensação incômoda na região genital. Foi ao médico e foi orientado a usar sunga durante 24 horas por dia durante algum tempo. Como não resolvera, procurou outro especialista que lhe deu a notícia: estava com câncer.
“Nem preciso dizer como fiquei. Felizmente consegui um tratamento pelo SUS, em São Bernardo do Campo, onde fui muito bem atendido e tudo deu certo. Hoje faço acompanhamento e o devido controle. Quanto à pergunta que todos fazem, ‘funciona tudo normalmente.’ Recentemente esse tipo de doença foi explorado em uma novela na Rede Globo. Acredito que isso vá ajudar a mudar o pensamento dos homens e fazê-los tomarem um cuidado maior com a própria saúde.
Ao ser indagado sobre como poderíamos alcançar um mundo melhor, ele responde com convicção: “O problema são as pessoas. Mas acredito que todos possam mudar suas atitudes. Com todos cedendo um pouco, talvez seja possível chegar a um grau de equilíbrio, o que resultaria em uma vida melhor a todos.”

Depois de tantos anos nessa profissão arriscada, honrosa, que tem a Disciplina e Hierarquia como base, o sargento nos conta que, em breve, chegará a hora de dizer tchau e está determinado a mais uma vez mudar de carreira. Certamente a Polícia Militar do Estado de São Paulo estará perdendo não só um grande combatente, mas acima de tudo, um grande homem.
Ler Mais

A parceira de São Miguel

Estudante de Relações Públicas representará São Miguel Paulista no projeto “Parceiro do SP” da Rede Globo

Por Efraim Caetano
Apaixonada por comunicação, Daniela Fausto de Vasconcelos, 28 anos, aluna do 8ª semestre de Relações Públicas da Universidade Cruzeiro do Sul, campus São Miguel, foi selecionada entre mais de 5 mil inscritos a participar do projeto “Parceiro do SP”, da Rede Globo. Para a estudante, o projeto significa uma experiência única e o seu maior desafio será mostrar, com o olhar de moradora, o dia a dia da população de São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo.
Agência Radar Jornalístico: Como surgiu o desejo de cursar graduação em Relações Públicas?
Daniela Fausto de Vasconcelos: Sempre gostei da área da comunicação, fiquei indecisa na escolha entre Jornalismo e RP. Escolhi Relações Públicas, pois o curso proporciona diretrizes para atuar em diversas áreas da comunicação, gosto muito do curso e indico a todos que tenham interesse.
ARJ: A ideia de falar sobre o transporte na região de São Miguel no Parceiro do SP da Rede Globo surgiu como?
Daniela: Todos nós que moramos na Zona Leste sabemos o caos que é o nosso transporte, e pensando nisso achei bacana enfatizar as mudanças que estão ocorrendo, como na estação de trem de São Miguel e o terminal de ônibus que foi construído mais que não beneficia muitas pessoas, temos muito mais pra mostrar durante o projeto.
ARJ: Qual foi sua reação quando soube que foi selecionada pelo SPTV para participar do Parceiro do SP?
Daniela: Explicar em palavras é muito difícil, fiquei extremamente feliz, chorei muito, muita alegria, saber que entre 5.200 inscritos eu fui a selecionada, nossa é muita felicidade.
ARJ: Como é representar e apresentar São Miguel Paulista neste projeto do SPTV?
Daniela: Uma responsabilidade e tanto representar o nosso bairro, mostrar com o olhar de moradora os pontos positivos e negativos, buscar soluções que beneficiem a todos nós, lembrando que a responsabilidade será minha e do meu parceiro Diogo Ferreira. Estamos muito confiantes com este projeto.
ARJ: Como é participar do Parceiro do SP da Rede Globo?
Daniela: Uma experiência única. Estamos rodeados de profissionais competentes e que a cada dia compartilham de suas experiências, e nos ensinam muito, tenho certeza que este aprendizado será muito bem aproveitado.
ARJ: Qual está sendo seus desafios neste projeto?
Daniela: O desafio é representar bem o nosso bairro, fazer um bom trabalho e que este de fato venha a contribuir para a divulgação e possíveis melhorias para todos nós.
ARJ: Após o término de sua participação do Parceiro do SP e da graduação em Relações Públicas, quais são seus planos?
Daniela: Após a graduação, quero ingressar em uma pós, agora mais focada em Jornalismo, mas não tenho nada definido. E o término do projeto, nossa nem gosto de pensar no fim, mas espero ter uma nova oportunidade de trabalho na Rede Globo, tenho que ser otimista.
ARJ: Qual a sua dica para os estudantes de jornalismo que gostariam de estar em seu lugar no Parceiro do SP da Globo?
Daniela: Uma dica concreta eu nem sei o que dizer. Mas acredito que o melhor caminho para todos nós é se aperfeiçoar cada vez mais nos estudos e estar atento as oportunidades, conhecer pessoas - o nosso famoso “Network” - e ter muita fé em Deus, sem Deus não somos nada, tenho certeza que ele me ajudou muito para está neste projeto.
Ler Mais

A vida é um doce

Por Tamiris Gomes e Cristiano Hurtado

 
O bom atendimento é o que mais atrai os
 estudantes a comprarem as trufas
de Dona Ceiça. (Por Samantha Henzel)
Seu nome é Maria Conceição Gonçalves Santos, nasceu em 11 de maio de 1961 em uma cidade denominada Brejões, localizada no Centro-Sul do estado da Bahia. Lugar de solo fértil para o plantio do café e de refúgio para retirantes, Brejões foi onde Dona Ceiça – como gosta de ser chamada – cresceu e viveu até seus 8 anos. Dona Ceiça lembra pouco de sua infância, apenas disse ter passado fome, algo que achou melhor esquecer. Quando chegaram em São Paulo Dona Ceiça e sua família foram morar no distrito do Itaim Paulista, Zona Leste. Com sonhos e expectativas palpitando, assim como é o coração de todo migrante que deixa sua terra natal e abandona suas raízes para se afixar em uma região desconhecida, cercada de desafios, Dona Ceiça rega seus sonhos com esperança mesmo que o medo venha tentar lhe roubar as forças. Mas medo maior ela sentiu quando seu pai falecera um ano após se instalarem em São Paulo, deixando sua mãe mais suas duas irmãs. Aos 13 anos Dona Ceiça já sabia costurar e aos 14 conheceu Givaldo, também baiano. Apaixonou-se e casou aos 19. Casada há 30 anos tem dois filhos e uma nora, que lhe deu o seu primeiro e até então único neto, o Gustavo de 4 anos.
Esta seria a história de Dona Ceiça, ainda assim seria bela, mas o constante sorriso em seus lábios e sua voz delicada e serena nos narra o seguinte:

“Tudo começou há nove anos quando a minha filha faleceu aos 5 anos e 8 meses. Fiquei arrasada. Eu costumava costurar muito e um dia pensei e decidi que precisa sair daquilo, pois me consumia. Não aguentava mais ficar dentro de casa, presa. Eu queria ver gente, conversar, distrair. Eu queria mudar de vida. Eu almejava algo mais, e ainda almejo. Fui para a escola e terminei meus estudos. Quando chegou a época da Páscoa tive a ideia de fazer ovos de páscoa para meus afilhados e foi a partir deste momento que nasceu o meu amor pelo chocolate.”
Foi com amor e munida desta matéria-prima que Dona Ceiça deixou de ser somente Dona Ceiça para ser a “Tia da Trufa” quando em 3 de agosto de 2006 – data muito bem lembrada por ela – passou a vender suas guloseimas em frente a Universidade Cruzeiro do Sul, em São Miguel Paulista. O gosto amargo da perda de uma filha trouxe o que era doce para a vida de Dona Ceiça e aqueles mesmos sonhos e expectativas de menina o tempo não deixara morrer:
“O que me motiva é saber que o amanhã tem sempre coisas boas. Eu vejo sempre o lado bom de tudo. O amanhã é sempre o amanhã, ele é quem guarda as surpresas. A vida tem seus porquês. Se te derem um limão, faça uma limonada. Não são todos que têm o privilégio da vida, já que temos, vamos viver.”

Com notável simpatia, Dona Ceiça atende seus clientes, em sua maioria estudantes, com brilho nos olhos, brilho que reflete amor, amor tal qual Dona Ceiça adiciona a suas receitas. Ela cultivou amizades e às vezes é até psicóloga, dá conselhos e se orgulha disso. Mas o que a “Tia da Trufa” não sabe é que mais doce do que o chocolate que ela vende é a sua própria doçura.
Ler Mais

Aconteceu, virou Manchete

Por Jennifer Muricy
 
Roberto Muggiati é formado em Jornalismo na França, trabalhou na BBC de Londres e foi editor de uma das mais importantes revistas brasileiras dos anos 50, a “Revista Manchete”, publicação do empresário Adolpho Bloch. Teve diversos livros publicados, entre eles, o livro “Aconteceu na Manchete” que relatou, junto com outros jornalistas, a história da revista. Procuramos Muggiati para nos relatar como a revista Manchete marcou a história do jornalismo impresso brasileiro.

Agência Radar Jornalístico: Você é jornalista formado no exterior, quais são as principais diferenças entre o jornalismo nacional e o jornalismo internacional?
Roberto Muggiati: Quando fui estudar em Paris, o jornalismo brasileiro se modernizava (segundo a técnica americana do lide e sublide) e o jornalismo francês ainda era um tanto ‘editorialesco’, menos objetivo. Mas o curso que eu fiz no Centre de Formation des Journalistes, mantido pelos próprios grupos patronais, para formar bons profissionais, era bastante avançado. A prova final obrigava cada aluno a escrever e paginar a primeira página de um jornal do dia seguinte, recebíamos as notícias e tínhamos que escrever, titular, legendar, escolher as fotos, diagramar com as medidas tipográficas corretas, enfim, fazer tudo o que o editor-chefe de qualquer jornal parisiense estaria fazendo naquela noite.

ARJ: Falando um pouco sobre a revista Manchete; lá havia jornalistas e colaboradores de renome, entre eles, Carlos Drummond de Andrade. Talvez por isso ela foi considerada uma das revistas mais vendidas do país?
Muggiati: Não só Drummond, mas também Vinicius, Antônio Maria, Sérgio Porto, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Otto Maria Carpeaux e muitos outros assinaram textos na Manchete. Escritores como Magalhães Jr, Carlos Heitor Cony, Josué Montello, Joel Silveira, José Carlos de Oliveira e Ruy Castro fizeram parte do quadro de redatores da revista.

ARJ: Como a revista passou pela era da ditatura militar, visto que vários meios de comunicação foram censurados?
Muggiati: Havia um coronel à paisana que dava expediente na Manchete. Era até mais pontual que a maioria dos funcionários. Não havia censura política direta porque os militares esperavam que a imprensa respeitasse os limites da censura e os patrões não queriam ver a firma fechada. Os próprios donos dos principais veículos - os Mesquita, Civita e Frias, em São Paulo e os Marinho e Bloch no Rio de Janeiro - mantinham o ‘olho aberto’ para o que se escrevia nas suas páginas. Ao mesmo tempo, como os jornalistas de esquerda eram o filé da profissão, esses patrões acima citados tratavam com zelo seus ‘preciosos comunistas’, pois os mesmos traziam lucro para seus cofres. Esta é mais uma das contradições flagrantes no processo ditatorial da Manchete.

ARJ: Você teve alguma matéria proibida de ser publicada pela censura?
Muggiati: A censura se irritava com nudez e sexo. Uma vez a Manchete publicou uma reportagem comprada da revista alemã Stern que mostrava uma reunião na Índia de fiéis do Bhagwan Shree Rajneesh (Osho), com uma foto aberta em página dupla mostrando homens e mulheres no clima ‘todo-mundo-nú’, parecia até uma bacanal. A revista foi recolhida em várias regiões do país, o que causou um tremendo prejuízo. Mas a iniciativa partiu de um juiz de menores (flagrado depois como pedófilo) e não dos militares. Toda a atmosfera de censura permitia que outras autoridades exercessem o seu poder para prejudicar a liberdade de expressão. Falando de sexo, a revista EleEla, lançada em 1968, que não chegava a publicar fotos de mulheres nuas (o que era proibido), mas somente de biquinão, tinha a arte-final de todas as suas páginas submetidas à aprovação prévia da censura antes de ir às bancas.

ARJ: Você sofreu algum tipo de censura por parte dos militares como jornalista? Conheceu algum amigo de trabalho que sofreu censura?
Muggiati: Era uma espécie de roleta russa. Publiquei um livro em 1968, uma semana antes do AI-5, “Mao e a China”, um verdadeiro manifesto a favor do comunismo chinês e os jornais publicaram que foi o último livro que o capitão Lamarca leu antes de ser fuzilado pela ditadura no Agreste baiano. Nada me aconteceu. Já o Vladimir Herzog, que tinha a minha idade e foi para a minha vaga na BBC de Londres, quando saí de lá em 1965, foi morto nos porões do Doi-Codi de São Paulo só porque botou no ar na TV Cultura um programa de uma TV estrangeira sobre o fim da Guerra do Vietnã. Muitos colegas de redação em São Paulo – e até alguns do Rio – foram penalizados pela ditadura.

ARJ: Sabemos que a censura não se deu somente no período compreendido entre 1964 e 1985, atualmente esse tipo de prática ainda ocorre só que por ‘debaixo dos panos’, qual a sua opinião sobre a falta de liberdade de expressão nos meios de comunicação?
Muggiati: O jornalista precisa sobreviver como assalariado de uma grande empresa capitalista; que por sua vez, precisa sobreviver obtendo lucros no mercado. A ameaça dos meios virtuais de comunicação só acirra o problema. Tudo isso explica a nuvem de conformismo que baixou na mídia em geral. O debate político autêntico escapou da grande imprensa e tenta preencher as frestas dos blogs e das ONGs. A web, de certa forma, veio preencher os espaços ocupados nos anos 60/70 pela imprensa alternativa e underground.

ARJ: Você se recorda de como foi o fechamento da revista Manchete? Se a revista ainda fosse publicada, como seria o seu segmento e as suas publicações?
Muggiati: Sim, fiquei lá até o último dia, quando a justiça lacrou as portas do prédio da Rua do Russell, aquele portento arquitetônico de Oscar Niemeyer, de mármore e vidros negros, que ficou plantado na praia do Flamengo como um Titanic ou como o enigmático monolito de Stanley Kubrick em 2001. A Manchete foi uma revista de qualidade que fez época no jornalismo brasileiro. Acabou falindo como avalista de uma dívida da TV Manchete. Quando a Bloch ganhou a concessão da Rede Manchete e a colocou no ar, em 1983, as revistas foram abandonadas e definharam. O fim das revistas da Bloch foi muito mais um naufrágio empresarial do que jornalístico.

ARJ: Você foi um dos escritores do livro “Aconteceu na Manchete”. Como foi escrever um livro sobre a revista?
Muggiati: Foi um trabalho solidário de equipe e uma empreitada feliz por nos permitir registrar num livro a riqueza jornalística e humana daqueles 48 anos de Manchete.
Ler Mais

Educomunicação: o diálogo entre duas áreas do conhecimento

Por Anselmo Duarte e Ítalo Silva


Ismar de Oliveira, professor e educomunciador da
Universidade de Sao Paulo. (Por Ítalo Silva)

Ismar de Oliveira Soares, é professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e ficou conhecido por todo o Brasil como uma das maiores referências em Educomunicação. Foi responsável por projetos como o Educom.TV e Educom.rádio, aplicados em 455 escolas do município de São Paulo. Educador do ano em 2007 pelo Prêmio Educarte, também assessorou a criação da Licenciatura em Educomunicação na USP. Atualmente supervisiona, no Estado de São Paulo, o curso de EAD, “Mídias na educação”, promovido pelo Ministério da Educação. Neste ano, Soares lançou o livro “Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação - Contribuições para o ensino Médio”, pela editora Paulinas. Com muita franqueza e carisma, o professor nos recebeu em sua casa para falar sobre Educomunicação no Brasil e seus benéficios.

Agência Radar Jornalístico: A educação unida à comunicação vem sendo discutida desde os anos 70 pelo professor e jornalista argentino Mário Kaplun, radicado na Venezuela. Quais são as contribuições deste autor para a Educomunicação?
Ismar de Oliveira Soares: Enquanto radialista, ele se aproximou muito da cultura popular, favorecendo os grupos populares para que eles dominassem a produção da informação. E Kaplun implementou, o quê naquele período passamos a denominar de, a leitura crítica da comunicação.

ARJ: Qual era a importância da leitura crítica da comunicação naquele momento para a sociedade latino-americana?
Soares: Era importante contribuir para que o povo identificasse o seu lugar na sociedade e fizesse a leitura do mundo. Gramsci, Paulo Freire e Mário Kaplun foram três nomes importantes para a Educomunicação. Deixava-se de simplesmente resmungar contra a mídia e dizer que ela manipulava para afirmar: “Eu preciso construir um caminho”.

ARJ: Muitas pessoas dos anos 70 que se diziam revolucionárias acabaram se acomodando e foram se adaptando às circunstâncias, às novas políticas e acabaram diminuindo a sua convicção revolucionária. Isso também aconteceu com Mário Kaplun?
Soares: Isso foi o mais importante. Ele veio a falecer nos anos 90 e manteve, com mais de 80 anos, a mesma coerência de pensamento, uma coerência do sistema epistemológico. Essa coerência estava no fato de reconhecer que a área da educação era uma área de prática de comunicação.

ARJ: Em qual contexto surgiu a Educomunicação?
Soares: Ela surge num contexto de resistência, entre vários movimentos, especialmente, o movimento político de libertação da ditadura que favoreceu os grupos populares e os recursos da comunicação que começaram a chegar. Na década de 80, chegou a câmera portátil, que antes estava nos estúdios de forma pesada. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que eram as comunidades das igrejas cristãs católicas, começavam a se reunir para discutir o evangelho e se articular a partir da Teoria da Libertação. Houve o movimento do vídeo popular que foi marcante com a professora Regina Festa, o professor Santoro, entre outros do Brasil. A denominação era a comunicação alternativa.

ARJ: Como educação e comunicação se relacionavam?
Soares: O olhar da educação sobre a comunicação era de que alguns instrumentos poderiam ser úteis. A educação atribuiu aos instrumentos comunicativos, o título de tecnologias educativas, como: o vídeo, o jornal e o rádio. Um segundo pensamento era de que a comunicação deseducava. E, por fim, um terceiro pensamento acreditava que a comunicação era livre demais e que a educação tinha conteúdos sérios, vigiados etc. A comunicação achava que a educação era coisa de pobre, organizada pelo Estado e chata, com seus telecursos monótonos, por exemplo. A comunicação não enxergava na educação possibilidades de mercado.

ARJ: Os governos ao longo da história interferiram na relação entre comunicação e educação?
Soares: Em 1967, o presidente Castelo Branco estabeleceu a obrigatoriedade de que os sistemas comunicativos tivessem 5 horas semanais dedicadas à educação. Quando o Collor assumiu em 1990, uma das primeiras medidas foi desobrigar as emissoras e rádios a cumprirem tal medida. Mas grandes emissoras de rádio e TV continuaram a fazer programas educativos de modo diferente das redes educativas, como exemplo temos o Globo Ciência e o Globo Ecologia, que com criatividade conquistaram audiência.

ARJ: Quando surge o termo Educomunicação?
Soares: Surge em 1996, quando foi criado na USP um Núcleo de Comunicação e educação: ele tinha uma preocupação de entender como se dava a relação entre os dois conceitos e percebemos o estranhamento e as práticas. A luta pela liberdade de expressão levou pessoas a produzir conceitos teóricos e metodológicos. Não criamos a Educomunicação, em 1999, concluímos a pesquisa que fazíamos e demos nome a essa realidade.

ARJ: O senhor foi um dos grandes responsáveis por levar a Educomunicação para várias escolas. Como se deu essa experiência na prática e quais foram os êxitos e os obstáculos?
Soares: A Prefeitura de São Paulo no mandato de Marta Suplicy chegou até nós com o problema da violência. Havia um projeto chamado Vida que cuidava da paz nas escolas. Imaginavam que iríamos fazer algumas oficinas para professores e estes retransmitiriam o conteúdo para as crianças. Um grande choque foi oferecer a proposta de trabalhar com os diversos sujeitos no mesmo espaço, tais como: alunos, professores, universitários, psicólogos e até um bombeiro. Além disso, tivemos em cada grupo, um jovem universitário como mediador. Isso foi inovador. A primeira crise foi a discussão entre alunos e professores. No final do primeiro ano havíamos atingido um terço das escolas e a professora Cida Perez, secretária de Educação na época, declarou que houve uma redução de 50% da violência com o início desse trabalho.

ARJ: Como está a Educomunicação hoje?
Soares: José Serra quando assumiu a prefeitura colocou o Edu.com na geladeira por dois anos. Era pra matar o projeto. Felizmente, não conseguiu. Hoje, temos 300 escolas praticando a Educomunicação na cidade de São Paulo. Existe uma pesquisa fora do nosso campo e que vem da Prova Brasil, realizada pelo Ministério da Educação em 2007: das 40 escolas que melhor se classificaram no índice de aprendizado, o único dado em comum é que elas trabalhavam com comunicação.

ARJ: Os educomunicadores têm um campo amplo?
Soares: Educomunicação é transversal, por natureza. Qualquer formação humana pode trabalhar com ela: Geografia, História, Pedagogia etc. A medicina, por exemplo, está precisando muito de Educomunicação. O educomunicador só não pode ser arrogante e deve aprender a conviver e partilhar. Aproximadamente 3.800 escolas públicas pediram recursos e formação para desenvolverem seus projetos educomunicativos. Além disso, há um grande campo para empresas midiáticas trabalharem e com certeza para novos comunicólogos também.
Ler Mais
 
RADAR JORNALÍSTICO | by TNB ©2011